6.6.14

A patissière portuguesa

Às quintas é sempre dia de fazer um docinho para levar para a minha associação. Almoçamos lá naquele sistema de "cada um leva uma coisa para partilhar". Semana após semana ganhei a fama de boa patissière e agora dizem que uma quinta sem os meus bolos já não é a mesma coisa. 

Já tinha esta receita guardada há muitos meses no desktop, mas havia sempre algum dos ingredientes em falta. Hoje tinha tudo em casa, por isso não havia desculpa.


Tenho para mim que ninguém acreditou que fui eu que fiz.

Temo é o dia que vou matar aquela gente toda de diabetes, afinal, estamos a falar de doçaria portuguesa que normalmente até faz ranger os maxilares de tão doce!

A receita original veio daqui:





5.6.14

Liberdade

Passaram-se 25 anos sobre o massacre de Tiananmen. Eu tinha 9 anos na altura, mas lembro-me bem de ouvir falar sobre ele e das imagens sangrentas. 

Hoje, na nossa aula de conversação francesa, discutíamos um artigo sobre o tema e uma das colegas chinesas (bastante mais elucidada do que grande parte dos que já conheci) explicava que por lá não se fala disto "destas coisas". Aliás, lá não se discute política, poucas vezes se faz greve e o controlo é bastante apertado. Ela, que nasceu nesse ano, só ouviu falar do episódio já depois de estar em França. 

Eles vivem numa ditadura e não sabem. 

Só os que vêm "cá para fora" se dão mais ou menos conta disso, ao perceber que há outras realidades tão diferentes da sua.

E nós, portugueses, que vivemos tantos anos de ditadura e lutámos tanto para conquistar os nossos direitos, temos hoje níveis de abstenção acima de 60%. Criticamos sem sequer ter legitimidade para criticar quem não elegemos. 

Sim, estamos fartos, tristes, sentimo-nos derrotados. Mas somos livres.

Com uma Europa onde a extrema-direita volta a ganhar força, é bom que não tenhamos memória curta. Porque foi nos piores tempos de crise que homens como Salazar e Hitler subiram, legitimamente, ao poder.

O Homem do Tanque, a imagem que simboliza a resistência e o massacre na praça de Pequim REUTERS
Via Publico.pt
Para os interessados, deixo dois artigos sobre o massacre de Tiananmen:




3.6.14

Milão (parte I)

Aterrei em Milão sem grandes expectativas. Já me tinham falado numa cidade sem interesse, um pouco feia até. A verdade é que, para mim, não se revelou nada disso. Milão foi uma agradável surpresa!

Pode não ser uma cidade deslumbrante, com o encanto de muitas capitais europeias (e da própria Roma, que ainda não conheço para poder comparar), mas quando estamos bem acompanhados e rodeados das energias certas, todas as viagens podem ser especiais.

Tivemos a sorte de apanhar um tempo ameno e ensolarado, com um enorme céu azul.




O Hotel

Devido a compromissos profissionais de mon mari, ficámos hospedados num local central, mas fora do centro. Quero dizer com isto que o nosso hotel era à porta da estação de metro Pagano, que fica na linha vermelha (a mais central e que nos leva até ao Duomo).

O hotel escolhido foi o Capitol Milano. Decoração clássica, sossegado, pequeno-almoço caríssimo (vale a pena ir fora) e empregados com simpatia zero. Mas, como não estávamos ali para conversar com os empregados, e felizmente não tivemos que lhes recorrer, esse pormenor passou para segundo plano. 


A grande vantagem era que estava localizado bem perto de uma das melhores zonas de restaurantes e lojas.

E por falar em restaurantes, a nossa experiência em Milão não poderia ter sido melhor, ou não tivéssemos sido bem aconselhados por amigos milaneses!

Eu ia com desejos objectivos gastronómicos muito bem definidos e consegui cumprir todos. E, meus amigos, que refeições!!

Na primeira noite jantámos no Ristorante Novecento. Depois de uma entrada simples e saborosa de bufalla com manjericão e tomate, parti para um risotto de pancetta e qualquer coisa, que estava M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! Claro que depois disto tudo, e por mais apetitoso que fosse o ar das sobremesas, não consegui comer nem mais uma migalha.

Mas nem só de risottos vive o Novecento e as pizzas em forno de lenha também estavam com uma cara óptima.

Os pizzaiolos do Novecento em acção

Nota final para a simpatia dos empregados que, com um restaurante cheio, foram sempre atenciosos e tentaram falar o melhor inglês que sabiam. 


Duomo

Claro que ir a Milão e não ir ver a sua atracção central é como "ir a Roma e não ver o papa"! Assim, foi com o céu super azul que chegámos ao Duomo.


Esta incrível catedral impressiona pela sua arquitectura exterior, que está ao nível de uma Sagrada Família. Começou a ser construída em 1386 e para fazer chegar o mármore necessário à sua construção foram feitos na cidade vários canais de água artificiais, dos quais hoje só restam dois (zona de Naviglio).


Claro que com o dia lindo que estava, não pudemos deixar de subir ao topo e apreciar cada detalhe dos seus pináculos (a subida por elevador custa 12€. A entrada na Catedral é gratuita).






Uma vez no Duomo, vale a pena apreciar a enorme movimentação da praça: entre turistas, artistas de rua, vendedores e carteiristas, é preciso estar de olhos bem abertos ao que se passa à nossa volta.



Logo à direita do Duomo estão as não menos famosas galerias Vittorio Emanuele, com várias lojas de marcas (caras). 


Este é um dos shoppings mais antigos do mundo, mas na verdade não tive vontade de comprar ali nada. Passámos por lá "só para ver as vistas" e para nos rirmos com a tal tradição que diz que pisar "as bolas" do touro e rodar três vezes sobre si mesmo dá sorte. Ridículo!


Mesmo à saída das galerias é possível ver a estátua deste senhor que talvez conheçam de nome!


Bom, mas sendo horas de almoço, a nossa barriga já começava era a apontar para o próximo destino: o muitíssimo recomendado Luini.


Ora o Luini é um espaço mínimo que vende uma espécie de cruzamento entre pastel e calzone, recheado com diferentes coisas (queijo e tomate é o original). E sim, o Luini tem uma fila que vai até à esquina, mas não se deixem amedrontar porque aquilo até anda rápido.


Sinceramente não achei assim nada do outro mundo para tanta fama. Os meus olhos ficaram mais colados à montra da famosa gelataria nessa mesma esquina e nas fatias de pizza gigantes do vizinho Spontini (também recomendado pelo nosso amigo e praticamente sem fila)


Tanto o Luini como o Spontini funcionam no sistema "pegar&levar" e comer na rua.

Este almoço não podia terminar sem a sobremesa perfeita...


Nota mental: como foi possível eu só ter comigo gelado uma vez em Itália?!! Preciso lá voltar urgentemente!

(E sim, aquilo ali atrás é um eléctrico como os nossos de Lisboa. Acho que foi isso que também me fez cair de amores pela cidade).

Na segunda parte deste post vai haver mais gastronomia, igrejas e jardins.

2.6.14

Thanks May, welcome June!

Tal como previa, saio de Maio com o coração cheio. Foi um mês fantástico, daqueles que é difícil repetir nos próximos tempos. 


1 - Recebemos a família
2 - Voltámos ao sul de França
3 - Conhecemos Milão (post para breve)
4 - Voei para Portugal para um momento muito especial em família
5 - Ficámos a saber que vamos ter uma menina

Só posso dizer que sou muito grata por aquilo que a vida me tem trazido.

Entra agora o meu mês preferido: o mês do meu aniversário, o mês da chegada do verão...

Via

1.6.14

Expect the unexpected!

Poderia escrever mil coisas, contar como estamos felizes, enumerar sentimentos diversos, mas por vezes há coisas que não conseguimos deitar cá para fora como gostaríamos. Ou pelo menos não na devida proporção que têm nas nossas vidas. 

Nesses momentos há imagens que valem mais que as palavras...



Seis meses depois já sabemos um pouco mais...



It's a girl!

To be continued...

#assimvaiamaternidade

15.5.14

Até lá a baixo #2 : Avignon, Nîmes, Sète, Gorges de L'Ardèche (parte 3)

O seguimento desta viagem é lá em baixo, beeeem lá em baixo. As previsões meteorológicas pareciam ser óptimas para este fim-de-semana, pelo que não podíamos deixar de incluir uma praia, agora que estamos tão longe dela.

E foi assim que chegámos a Sète.

SÈTE
Sète é uma cidadezinha piscatória com pouco mais de 40.000 habitantes. Cheira a maresia e a peixe e a sua banda sonora são as gaivotas. À primeira vista é despida de encanto, sobretudo quando comparada com tantas outras aldeolas francesas por onde já passámos. Mas as nossas expectativas também não eram elevadas: queríamos praia e comer bom peixe (saudades do peixe da costa portuguesa!).




Eu diria que Sète é assim uma mistura entre Peniche e a Costa da Caparica, estão a perceber?



Desta vez houve um pequeno upgrade ao Ibis e resolvemos ficar no Hotel de Paris, onde não se esteve nada mal.

Quando caminhámos um pouco por Sète pudemos sentir a vida da cidade. Os pescadores a enrolar as suas redes, os donos das peixarias a lavar as bancas e as gaivotas sempre à procura de um pedaço de peixe. Ali, onde se vive do mar e do turismo, não faltam restaurantes a tentar assediar-nos com as suas ardósias a anunciar peixe e marisco fresco. A dúvida é "onde entrar? Que restaurantes escolher?". A oferta parece ser muito semelhante.



Quanto à praia, o tempo afinal não esteve lá grande coisa e a temperatura da água também não era muito convidativa (não nos podemos esquecer que ainda só estamos em Maio e que falta mais de um mês para o verão). Se for este o caso, um saltinho até um dos bares de praia pode ser a solução para um momento bem passado à beira-mar.



Sète tem uma extensão de 12 kms de praia, com óptimos acessos e infra-estruturas. Para quem fica hospedado no centro, como foi o nosso caso, precisa de carro para ir até às praias.



Não se admirem se em Sète for difícil perceber o que eles vos estão a dizer. Por ali o sotaque é carregadíssimo. Quando nos lançaram perguntas que envolviam "demain", "vin" ou "pain" (ler com esta sonoridade: demãe, vem, pãe), demorámos uns segundos a perceber que se tratava de "amanhã", "vinho" e "pão"! 

Com um domingo que prometia não chegar aos 20ºC, decidimos sair cedo de Sète e aproveitar o caminho de regresso para visitar alguns pontos que já tínhamos debaixo de olho. Next stop: Aiguèze.

AIGUÈZE
Aiguèze é uma vila medieval que faz parte das Les Plus Beaux Villages de France. É abraçada, por um lado, pelas vinhas do Côte du Rhône e, por outro, pelos Gorges de L'Ardèche.



Quem já visitou outras Beaux Villages não vai achar esta muito diferente. A estrutura é semelhante: casinhas em pedra, flores nas janelas, uma igreja e dois restaurantes.



Nós chegámos bem na hora de almoço e escolhemos o Le Bouchon, mesmo à entrada, para comer. O espaço é acolhedor, as doses são bem servidas e apresentadas, e a comida, com produtos da época, é bastante boa. Esta tarde de rhubarbe estava uma verdadeira delícia!



Caminhámos por ali um pouco, mas Aiguèze vê-se muito rápido, pelo que não demorámos muito a retomar a estrada.



O nosso último destino desta viagem: Gorges de l'Ardèche.

GORGES DE L'ARDÈCHE
Para chegar a esta maravilha da natureza, é bom que não sofram de enjoos. Ainda que de Aiguèze até aqui sejam apenas 15kms, a estrada é feita de curvas e contra-curvas que parecem não ter fim. Mas para tornar o percurso mais agradável, nada como ir parando nos vários miradouros espalhados ao longo do percurso. Aí podem ter vistas como esta, pouco aconselháveis a quem tem vertigens!


Os Gorges de L'Ardèche são considerados o Grand Canyon Europeu, percebe-se porquê.



Fazendo parte de uma reserva natural protegida, têm cerca de 30kms e separam os departamentos de Ardèche e Gard.

O ponto alto deste percurso é esta formação natural espectacular: a Pont d'Arc. Tem cerca de 50 metros de altura e 60 de comprimento.



É possível descer até à Pont d'Arc de carro e estacionar bem perto. Ali podemos fazer praia, canoagem ou apenas apreciar a paisagem.

Ao longo da estrada há ainda várias grutas visitáveis, das mais de 2.000 que foram descobertas na região (com imensos vestígios de presença humana).

E foi com este mar de verde que terminou a nossa viagem a sul. 

Maio promete ainda mais surpresas. Assim o esperamos.

13.5.14

Até lá a baixo #2 : Avignon, Nîmes, Sète, Gorges de L'Ardèche (parte 2)

Avignon vista, era tempo de seguir até à nossa próxima paragem, a pouco mais de 20 kms dali. Depois de já ter lido algumas coisas sobre o local e de ter visto imensa publicidade espalhada por Lyon, a curiosidade levou-nos até à Pont du Gard. 

PONT DU GARD

A Pont du Gard é um pedaço de aqueduto romano, construído, pensa-se, no séc. I a.C. Estamos, uma vez mais, a falar de um monumento que é património da UNESCO e que impressiona pela sua grandiosidade.

Era esta ponte de três níveis que atravessava (atravessa) o rio Gard dando continuidade ao aqueduto que trazia água de Uzès até Nîmes, numa distância de mais de 50 kms!

Confesso que não estava à espera de algo tão grandioso. Mas quando viramos a curva e damos de caras com os seus 50 metros de altura, é impossível não soltar um "uau!" (lembrou-me a sensação que tive quando encarei a pirâmide de Cobá, no México).



Atentem ao tamanho das pessoas que ali estão, sobretudo às que estão em cima da ponte mas que mais parecem pequenos pontinhos. Acho que nenhuma foto consegue mostrar o que é isto ao vivo!

Num dia de calor como o que estava, vale a pena ficar por ali e aproveitar a água demasiado fresca do rio ou os desportos náuticos como a canoagem.

Nós ainda tínhamos mais uma paragem neste dia, pelo que continuámos viagem...não sem antes molhar os pés, claro!



Convém alertar que para chegar à Pont du Gard o ideal é ir de carro. Na estrada existem indicações para seguir para a margem esquerda ou direita. Completamente ao acaso, nós optámos pela direita. Chegámos depois a um ponto em que a estrada acaba num parque de estacionamento onde nos são cobrados 18€ para parar o carro e aceder à ponte. Ficámos a pensar que não devíamos ter ido pelo sítio certo, já que aquilo tinha cara de ser o preço que se cobra à pessoas que ficam por ali o dia inteiro. Apesar de um pouco azuis pelo preço, não podíamos deixar de visitar o motivo que nos levou ali!

Em pesquisa pelo site pude confirmar que este é o valor para qualquer uma das margens e vale para uma ou a totalidade das pessoas que for no carro, já que é o preço por viatura (por isso se forem em grupo sai mais barato). 

Se estiverem interessados podem ver mais informações de preços e horários aqui.


NÎMES

Não andámos muito mais do que 30 kms para ir da Pont du Gard até Nîmes. Queríamos chegar cedo para ter tempo de ver a única coisa que nos interessava na cidade: a Arènes de Nîmes

Foi neste anfiteatro romano construído no séc. XXVII a.C que foi filmado o filme O Gladiador"What we do in life, echoes in eternity"!



Entrámos e na minha cabeça só passava esta banda sonora. Ao percorrer as bancadas ao som do audioguia que nos é dado à entrada, conseguia imaginar os gritos da multidão que sem dó pedia a morte dos gladiadores. Hoje a arena é utilizada como praça de touros (ainda associada a mortes, portanto).



Este não é o maior coliseu romano, mas é o mais bem conservado do mundo. Apresenta uma simetria perfeita e leva até 16.300 espectadores. Na época romana levava até 24.000! 



Por mim podia voltar no tempo para ouvir este concerto que deve ter sido para cima de espectacular.

O valor para visitar a arena são 9€ e inclui audioguia. É incrível que os monumentos que visitámos (excepto o Le Palais des Papes) todos tinham audioguia em português de Portugal.

Não achei Nîmes uma cidade muito bonita, talvez por não a ter explorado bem. Se tivesse um pouco mais de tempo teria visitado também La Maison Carré, um templo romano muitíssimo bem conservado e La Tour Magne, torre com 18 metros de altura situada no ponto mais alto da cidade. Pena que já era tarde e o nosso próximo destino ainda ficava a 1h de caminho.

Até lá a baixo #2 : Avignon, Nîmes, Sète, Gorges de L'Ardèche (parte 1)

Tal como já havíamos feito o ano passado, aproveitámos um dos feriados de Maio para explorar um pouco mais este belo país que é a França. 

Se inicialmente a rota desta viagem era para ser outra (bem mais preenchida), cedo percebi que um marido extremamente cansado das últimas semanas de trabalho não aguentaria um ritmo tão intenso. Rapidamente refiz o nosso percurso para visitarmos menos coisas, com mais calma e tempo para respirar. 

Confesso que gosto deste nosso ritmo de férias, sem pressas para sair ou chegar onde quer que seja, onde nos olhamos nos olhos com calma, rimos das nossas private jokes, saboreamos uma boa comida e apreciamos os detalhes das gentes e das coisas por onde passamos.

E foi neste compasso que chegámos a Avignon, a nossa primeira paragem.

AVIGNON

Para algumas pessoas (sobretudo católicos) Avignon é conhecida por ser a cidade dos papas, para outras, o meu caso, lembra imediatamente este famoso quadro de Picasso que está no MoMA, em Nova Iorque (talvez isso explique a quantidade de turistas americanos que por ali andavam).

Seja por um ou outro motivo, Avignon é uma daquelas cidades francesas fofas que vale a pena uma visita. É banhada pelo Rhône a Oeste, o que lhe confere umas margens frescas e verdes, onde apetece ficar deitado ao sol ou a fazer um pic-nic.


 Mas engane-se quem pense passar ali muito tempo: Avignon é uma cidade pequena e vê-se num dia só!


Depois de deixarmos as malas no Ibis onde ficámos hospedados (os Ibis são a opção ideal para quem não quer gastar muito nem ter surpresas), começámos a percorrer a cidade a pé debaixo dos 30ºC que estavam naquele dia. Seguimos em linha recta até dar de caras com o ponto mais conhecido de Avignon: Le Palais de Papes


Património da UNESCO, este é o maior palácio gótico do mundo. Foi mandado construir pelo Papa Clemente V que em 1309 decidiu deixar Roma para se instalar em Avignon. Durante 70 anos este espectacular palácio foi morada de vários papas. Digamos que no séc. XIV, Avignon era assim uma espécie de Vaticano. Vale a pena uma visita por dentro nem que seja para imaginarmos como seria a vida naquela época!


O bilhete para o palácio custa 11€, mas o combinado palácio + ponte Saint Bénezet sai por 13,50€ (se forem subir à ponte compensa o combinado).

E por falar em ponte, a de Avignon já o foi. Hoje é menos de metade dela e não leva a lado algum. Construída no séc. XII, a Ponte Saint Bénezet tinha 22 arcos que não resistiram à força do Rhône e às várias cheias que foram assolando a cidade na época. Hoje restam apenas 4 míseros arquinhos, mas que não impedem que seja super visitada e fotografada.


Reza a lenda que um pastor chamado Bénezet teve uma visão divina que o mandou descer das montanhas e avisar a população que deviam construir uma ponte. Foi gozado por todos e chamado de louco, mas, abreviando aqui a história, conseguiu provar que não o era e a verdade é que a ponte - ou melhor, parte dela - está ali de pé para provar que o homem estava certo.

Para além disso esta ponte é ainda conhecida por causa da música "Sur le Pont d'Avignon". Quem tiver curiosidade em ouvi-la sugiro que procure no youtube, quanto a mim vou poupar-vos/nos a ouvi-la aqui porque é uma daquelas musiquetas ridículas, mas que é tão pegajosa que ficamos a dia todo a cantá-la!

PS - Faltou referir que para comer em Avignon é difícil fugir aos restaurantes turísticos. Nós tentámos sair um pouco do centro e almoçámos na Brasserie du Théâtre (mesmo em frente ao posto de turismo). Para além de termos comido muito bem, fomos atendidos com imensa simpatia!

5.5.14

Ah, boa vida!

Outro dia dei com este texto do José Cabral (rapaz que sempre achei muito bem apessoado) e não pude deixar de me identificar. 

As pessoas têm uma necessidade incrível de nos rotular, e agora que emigrei e estou sem trabalhar sinto ainda mais isso na pele. 

Onde me encaixo? A que grupo pertenço? Ser uma "dona de casa" é hoje visto como ser uma desocupada, uma "dondoca" (como tantas vezes ouço) que supostamente tem tempo para tudo. É sentir que somos reduzidos a um papel insignificante. 

Tal como o José escreve no texto, as pessoas estão mais preocupadas em perguntar-me como ocupo os dias, do que em tentar perceber como me sinto ou do que gosto. Já me habituei.

Ora então se me dão licença vou só ali não fazer nada só para ficar com a fama, mas também com o proveito!

In Jornal Metro