23.3.14

Por terras de Vera Cruz

A primeira vez que fomos ao Brasil, já lá vão 11 anos, foi com amigos...e foi muito bom. Agora voltámos a um país onde já fomos muito felizes e a história repetiu-se. 

Da primeira vez fomos para o nordeste, desta vez foi Rio, Uberlândia (!) e São Paulo.

Foi de uma conversa entre amigos que surgiu a ideia e daí até aterrarmos no Rio de Janeiro foi um saltinho - ou melhor, depois de muitos telefonemas e muita logística organizada pela Mi Matias!

Afinal, foram sete vôos em oito dias, um restaurante diferente a cada refeição, três cidades e muitos passeios.

Ir para o outro lado do atlântico é sair de um conceito europeu de viagens, onde as cidades são muitos parecidas e organizadinhas.

Chegar ao Rio é ser impactado com uma cidade abraçada pela natureza. É aí que o Rio nos conquista: os seus morros, a lagoa, as praias, a vegetação nas ruas, as águas de côco fresquinhas, o jeito tranquilo de levar a vida.

Fomos, claro, numa época atípica, com muita gente na rua, muitos turistas (muito lixo também devido a uma greve), mas o Rio é sinónimo de alegria - pelo menos para nós foi - ou não estivéssemos em pleno Carnaval!

Ficámos mesmo em frente à praia de Copacabana (ver fotos abaixo) e fomos muito bem recebidos pela Dona Marise, mãe do Leo, que não se importou de ter cinco hóspedes a transformar a sua casa num acampamento! 

Na padaria da esquina não pudemos deixar de encontrar o dono, português, fazendo jus ao estereótipo do português padeiro no Brasil (qual a hipótese dele ter um filho a morar em Lyon? Pois claro, este mundo é um T0!!).

Acho que nesta viagem, sinceramente, as imagens valem mais que as palavras.


Copacabana

A vista da casa da Dona Marise!


Pão de Açúcar

A entrada
A subida
A vista
A vista
A vista


Carnaval
Assistir ao desfile das escolas de samba na Sapucaí é uma experiência única na vida. Tivemos o privilégio de poder ir para um dos camarotes e fomos tratados como reis (obrigada a todos os que tornaram o sonho possível!).
Ainda fico arrepiada só de me lembrar do tamanho dos carros, da qualidade dos fatos, das cores e do som da bateria a passar!





O que deu para captar da Sabrina Sato 




Momento "Posso tirar uma foto consigo?" Juliana Paes


Cristo Redentor (mais turístico impossível!)

A vista lá de cima é incrível, mas mesmo às 8h não foi fácil escapar aos magotes de turistas.
Sabiam que o Cristo Redentor na verdade só tem mais 2 metros que o Cristo Rei em Lisboa?! 









Por Santa Teresa e arredores




♥ A turma companheira de viagem ♥













Uberlândia
Depois do Rio veio Uberlândia. Mas onde é que isso fica? No estado de Minas Gerais. 

Com cerca de 700 mil habitantes, Uberlândia é o segundo município com maior população do estado, a seguir à capital, Belo Horizonte.
Uberlândia é também a cidade dos nossos amigos Mi e Leo, onde ainda está uma parte da sua família e amigos.

Fomos recebidos de braços abertos pelo Seu Celso, pai do Leo e pela sua mulher, Lindalva. Estar em casa deles foi como estar na casa dos nossos tios ou avós no alentejo. A tranquilidade, as comidas, a simpatia e calor humano fizeram-nos sentir em casa.




Por Uberlândia não encontrámos turistas, só boa comida (acho que pode ser mesmo usado o termo overdose de comida!), pessoas simpáticas e o maior clube da América Latina, o Praia Clube.





São Paulo
A nossa viagem terminou em São Paulo, na gigantesca São Paulo. Se existe uma imagem de selva urbana, para mim será São Paulo. Muita gente, muitos prédios, muito trânsito, os moto boys, o calor tropical, a poluição...senti-me um pouco como em Nova Iorque, mas de forma mais desorganizada.





Este post já vai muito longo e com muitas fotos, mas foi a melhor forma que encontrei para descrever mais uma daquelas viagens que nos vai ficar guardadas na memória. Para ser melhor, só voltando!

13.3.14

De braços abertos

Ir ao Brasil é voltar de alma cheia: pessoas calorosas, boa comida, fruta sem igual, alegria de viver, mesmo que, por vezes, seja com pouco. No Brasil vive-se com uma (des)organização só deles. Vive-se bem, vive-se mal, os preços são ridiculamente caros para a realidade brasileira. Mas a vida não para e dá-se sempre um jeito.

Mas depois, depois há o choque de voltar. Os franceses são frios, contidos, certinhos, cheios de regras (demasiadas). Tudo funciona, tudo está no lugar, as cidades estão limpas e organizadas, há segurança. Mas falta aqui qualquer coisa. Falta um sorriso aberto, uma porta aberta, uns braços abertos, uma mesa partilhada. Falta uma música a tocar ao virar da esquina.

Chegar ao Brasil (e a Portugal) é sentir na pele a música da TAP cantada pela Mariza que diz: “Sabes que vou chegar de braços abertos”. 

Chegar a França é chocar de frente com olhares pudicos, braços cruzados e muros sentimentais.



3.3.14

"É samba no pé e alegria no rosto"

"Na tela da TV, no meio desse povo, a gente vai se ver na Globo"...ou não. Depois de tantos anos a ouvir isto na televisão e a sonhar um dia estar lá, este ano é ao vivo!

Até já Sabrina "Bunda Dura" Sato!

Foto Globo.com

Foto localnomad.com

1.3.14

L’ebullition

Há umas semanas fui jantar ao L’ebullition e nunca mais me lembrei de falar sobre este restaurante. Não que tenha sido mau, pelo contrário, mas não sei porquê ficou perdido no fundo do meu baú.

Situado na Rue Lanterne, este pequeno restaurante consegue receber, no máximo, umas 20 pessoas e só tem um serviço por noite. O L’ebullition aposta nos produtos frescos da estação e os seus pratos, apesar de não serem os melhores que já comi em Lyon são, no entanto, bastante bons.

Ao almoço é possível conseguir um menú por 16€, mas ao jantar esse preço já sobre para os 25€.

Se recomendaria? Sim. Se espero voltar? Sim. Apontaria como o único ponto negativo o serviço pouco simpático.

Ah, e se não marcar com antecedência é melhor nem tentar a sorte!

Foto by annuaire 118712

Na altura esqueci-me de fotografar os pratos e o ambiente (e também não existem muitas fotos disponíveis deste restaurante).


Morada
12 rue Lanterne , Lyon 1er
Tel : 04 78 27 48 19

2ª a Sábado: 12h - 14h30 e 20h - 22h30 (a partir desta hora começam a levantar a mesa, quase como a expulsar-nos do restaurante!) 

24.2.14

A norte de Lyon

Há vários dias que a meteorologia prometia um domingo ensolarado e nós começámos logo a fazer planos para o aproveitar. Planos...na verdade eu tenho intenções, mas acabo sempre por ver tudo na véspera (shame on me!).

Num dia que mais parecia de Primavera, com sol e céu azul, apesar dos loucos 15ºC, saímos então em direcção a Trévoux, a norte de Lyon.


Trévoux 

Trévoux é uma pequena vila nas margens do Saône que, entre outras curiosidades, ficou conhecida pelo seu "Dictionnaire de Trévoux", um dicionário universal de francês e latim editado no século XVIII.


No topo de Trévoux está um château construído no século XIV que tem como curiosidade a sua forma octogonal. Como acontece com quase tudo em França aos domingos, estava fechado, por isso não o pudemos visitar.





Daqui seguimos para Anse com o objectivo de ver a Chapelle St. Cyprien, uma das igrejas mais antigas de toda a França. 
A vila não é propriamente das mais bonitas que já visitei por aqui, mas a paragem valeu a pena pelo edifício da Mairie, que mais parece saído de uma pintura!


Ah, e acabámos por não conseguir achar a tal capela! 

Então continuámos o nosso caminho em direcção a Oingt, classificada como uma das Plus Beaux Villages de França.


Oingt

Entrar em Oingt é entrar numa das vilas que pertence ao Pays des Pierres Dorées. Mas o que raio vem a ser isto? Na verdade são várias vilas situadas na rota do vinho Beaujolais, construídas em pedra ocre amarela, que reflectem o sol formando uma cor super característica. O seu ambiente quente já lhes valeu mesmo a alcunha de "La petite Toscane Beaujolaise".




Convém dizer que quem é fã de vinho está no local ideal. É que a apenas 25 kms de Lyon, Oingt fica em plena rota do vinho Beaujolais e é possível parar em qualquer estradinha ou esquina para uma degustação.



Theizé

Mesmo ao lado de Oingt fica Theizé. Construída também em pedra dourada, dizem que é povoada há séculos, havendo mesmo provas de presença neolítica! 


Relata a história que o château Rochebonne, situado no cimo da vila, foi destruído na guerra dos cem anos para não acabar nas mãos dos ingleses.


Dizem que vale a pena ir a Theizé ao domingo de manhã, já que fica mais animada com o seu mercado semanal.


Bagnols

Para o fim do passeio ficou Bagnols, já no caminho para casa. Mais uma vila (acho que direi vilarejo porque é mesmo muito pequenina) construída na típica pedra dourada.


Das suas poucas atracções consta a igreja do século XV e o château construído no século XIII, que foi recentemente recuperado e transformado em hotel de luxo por um casal de ingleses. Dizem que por ali já passaram Bruce Willis, The Cure, Tom Cruise e Nicole Kidman!


E pensar que tudo isto pode ser visto num raio de 30 kms de Lyon! 

Às vezes basta mesmo uma boa pesquisa, uns raios de sol e vontade de sair por aí!

20.2.14

A stop-motion in LYON / LYON, à pied



Vi hoje este vídeo de Lyon e não podia deixar de partilhar um bocadinho desta minha fantástica cidade!

Portugal à distância

Quando se lê sobre Portugal fica-se triste. As notícias são sempre depressivas, pessimistas. Quando se lê sobre Portugal, estando fora do país, dá medo de voltar. Parece que vão ter que baixar mais os salários (pardon?!) isto quando ainda há emprego, porque parece que também já não há empregos. Só fome, famílias endividadas, idosos que vivem na miséria. 

Ler sobre Portugal quando se está fora assusta. O que é que fizeram ao nosso país? Quando poderemos voltar em segurança? Ler sobre Portugal quando se está fora, dá-nos um nó na garganta e embrulha-nos o estômago.

“Os nossos governantes têm-se preparado para anunciar, contentíssimos, que a crise acabou, esquecendo-se de dizer tudo o que acabou com ela. A primeira coisa foi a cultura, que é o património de um país. A segunda foi a felicidade, que está ausente dos rostos de quem anda na rua todos os dias. A terceira foi a esperança."

João Tordo

14.2.14

"Não se ama alguém que não ouve a mesma canção"

Não adoro este dia de S. Valentim, mas adoro o amor. E ele pode estar em tantas coisas.
Hoje não quero coraçõezinhos ou chocolates, hoje quero saltar e gritar bem alto ao teu lado ao som destes senhores:

Porque o Rui Veloso canta uma metáfora daquilo que o amor deve ser: ouvir a mesma canção é viver a vida na mesma vibe.

Oh, oh, oh, oh, uuuuoh, ouh, ouh, oh, oh, ooooohohooooo.

13.2.14

Dá-se um jeito

“Gosto de palavras que só nós portugueses usamos e compreendemos, intraduzíveis. Uma das melhores é jeito, no sentido de dar um jeito, no campo específico duma distorsão corporal.
"Jeito" não quer dizer nada para quem não seja português. Mas nós, portugueses, sabemos exactamente o que é dar um jeito.” 

Miguel Esteves Cardoso


Eu diria que os brasileiros, tal como os portugueses, são os únicos que também nos compreendem nesta coisa de "dar um jeito". 

11.2.14

Estive só ali a carregar o coração

...em Portugal. Por isso estive tão caladinha. 

Desta vez não me desgracei em pastéis de nata (só comi um!), passei por Sintra e não comi queijadas, mas como sempre aproveitei para fazer os pedidos especiais à mãe: almôndegas, frango assado, salada de agrião da horta do meu pai e afins. 

Depois uma pessoa volta e como é que se vive sem esses mimos? Sem estes legumes verdadeiramente biológicos?

O que vale é que regresso para uma casa quentinha e sou recebida só com boas notícias: o Benfica acaba de ganhar ao Sporting num grande jogo e hoje mais uns amigos do coração confirmaram que nos vêm visitar daqui a uns meses.

"Always look on the bright side of life"!